Monthly Archives: Janeiro 2018

Portugueses reescrevem a história genética da Índia

Um estudo internacional liderado por Pedro Soares, da Universidade do Minho, reabriu a discussão entre cientistas e na Índia, ao provar que um grupo de falantes indo-europeus migrou para aquele país há 5000 anos, influenciando a língua e a cultura locais. Este é dos temas mais delicados da história política indiana e tinha sido refutado por defensores da língua indígena, mas as novas evidências genéticas nas linhagens masculinas são claras. O trabalho saiu na revista “BMC Evolutionary Biology” e está entre os 5% de artigos científicos com mais impacto social de sempre, segundo a Altmetric.

Pedro Soares, investigador no Centro de Biologia Molecular e Ambiental (CBMA) da UMinho, em Braga, nota que a diversidade genética, linguística e cultural indiana é antiga. Remonta aos caçadores-recoletores que colonizaram a região há mais de 50 mil anos e, depois, aos imigrantes vindos do Próximo Oriente e Irão graças às melhorias climáticas há 20-10 mil anos. Mas o seu estudo foca-se na Idade do Bronze, com a chegada a partir das estepes de homens pastoris e domesticadores de cavalos que falariam um ramo do indo-europeu, um tipo de língua das raízes do hinduísmo e que teria originado as línguas hoje faladas por mais de mil milhões de pessoas no Norte e Centro da Índia. A teoria é defendida por cientistas europeus, no modelo chamado “invasões arianas”, mas tem sido ferozmente rejeitado por nacionalistas hindus, que criticam ainda as conotações racistas e colonialistas.

“O hinduísmo é das civilizações mais antigas do mundo e terão sido migrantes arianos a ajudá-lo a nascer, segundo o estudo. Mas a última coisa que queremos com a ciência é insultar, o que fazemos é olhar, ler e interpretar”, diz Pedro Soares, que teve a caixa inundada de emails indignados. O artigo também tinha autores indianos, que pediram para sair aquando das conclusões. O estudo teve destaque na imprensa asiática. No “The Hindu”, com 1.4 milhões de exemplares de circulação, houve centenas de reações na notícia online, levando mesmo ao fecho da secção de comentários.

O trabalho uniu 16 investigadores das universidades do Minho, Porto, Huddersfield (Inglaterra), Sydney (Austrália), Edimburgo (Escócia) e Gales (País de Gales), incluindo oito portugueses – Pedro Soares, Marina Silva, Marisa Oliveira, Daniel Vieira, Andreia Brandão, Teresa Rito, Joana B. Pereira e Luísa Pereira. A equipa usou novas tecnologias de sequenciação para avaliar genomas completos atuais, tratados em estudos recentes, e ainda 500 genomas de indianos, tornados públicos na rede internacional Mil Genomas. A pesquisa incidiu no ADN mitocondrial (transmitido de mãe para filha) e no cromossoma Y (transmitido de pai para filho), que foi tratado pela primeira vez neste âmbito. Concluiu-se que boa parte das linhagens masculinas indianas era externa e que as linhagens femininas indianas denunciaram muito pouca migração. Ou seja, há 3500-5000 anos houve mistura de homens do exterior com mulheres locais da Índia.

Ter as duas linhagens e o resto do genoma “deu muita força às conclusões”, que a equipa quer fortalecer. “Vamos tentar arranjar a nossa própria amostragem e avançar para mais análise genética, embora saibamos da dificuldade de não existirem fósseis humanos com ADN antigo da Índia ou estudos com dados suficientes, ao contrário da realidade da Europa”, elucida Pedro Soares. O geneticista acrescenta que os homens falantes indo-europeus terão saído ao mesmo tempo das estepes para o subcontinente indiano e para a Europa central, influenciando também as línguas e a cultura deste continente. A teoria da migração global tem gerado cada vez mais consenso na comunidade científica.

Diplomada do Politécnico de Leiria distinguida na Domus

Soraia Gomes Teixeira, diplomada do mestrado em Design de Produto na Escola Superior de Artes e Design de Caldas da Rainha do Politécnico de Leiria (ESAD.CR/IPLeiria), viu o seu projeto “Movimento Marcado” distinguido pela conceituada revista Domus. O projeto concentra-se em trabalhar sobre o espaço, o corpo, o objeto e a relação que estes desenvolvem entre si, desenvolvendo uma série de objetos experimentais que permitem explorar a consciência de determinados movimentos e gestos, e valeu à designer publicação numa das mais importantes revistas da especialidade.

A designer explica que os objetos desenvolvidos no âmbito de “Movimento Marcado” «funcionam como mediadores entre o corpo e o espaço arquitetónico, como os dispositivos de contraplacado colocados a alturas específicas da parede que, por sua vez, exigem um maior desafio para o utilizador. De entre eles, outros enfatizam ações diárias como revelar uma figura geométrica ao andar com uma saia ou engrandecer a inclinação da cabeça num pedestal, como se a nossa cabeça estivesse a precisar de descanso». “Movimento Marcado” foi desenvolvido durante o mestrado na ESAD.CR/IPLeiria, e orientado pelo docente Miguel Vieira Baptista.

«O projeto tem como objetivo questionar o quanto o corpo pode moldar um objeto ou o quanto um objeto pode moldar os movimentos do corpo», esclarece ainda. Soraia Gomes Teixeira destaca que a publicação pela Domus «serviu sobretudo como validação do projeto, mas também de estímulo para continuar a investigar e a explorar esta relação existente entre os objetos, o corpo e o espaço».

Soraia Gomes Teixeira tem 27 anos, e é natural do Porto. É licenciada em Design Industrial pelo Instituto Politécnico do Porto, e mestrada em Design de Produto pela Escola Superior de Artes e Design de Caldas da Rainha do Politécnico de Leiria, tendo como tema de tese “Como o corpo molda o objecto e como o objecto molda o corpo”. Interessa-se por arquitetura, dança e música, tendo frequentado o Conservatório de Música durante vários anos.

Em 2014, foi selecionada para a mostra POP’s (projetos de origem portuguesa), organizada pela loja da Fundação de Serralves, e no mesmo ano, foi selecionada para a Mostra de Jovens Criadores Portugueses, concurso organizado pelo Clube Português de Artes e Ideias. Em 2015 representou Portugal na categoria de Design de Equipamento na VII Bienal da Comunidade de Países de Língua Portuguesa em Maputo, Moçambique. Já em 2017 foi colaboradora no estúdio Ciszak Dalmas em Madrid.

Atualmente é professora assistente na Escola Superior de Media Artes e Design do Instituto Politécnico do Porto e desenvolve projetos em nome próprio.

ESEnfC faz parte de consórcio europeu em projeto digital para educação em Enfermagem e gestão da doença crónica à distância

A Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC) participa, com quatro outras instituições de ensino superior europeias, num projeto inovador que visa desenvolver uma plataforma web assente num modelo para educação em Enfermagem baseado em competências digitais, que servirá, simultaneamente, para a gestão de pessoas com doenças crónicas.
Sumariamente, o projeto DigiNurse, cofinanciado pelo programa Erasmus +, prevê a construção de uma plataforma que permitirá a partilha eletrónica de dados e que funcionará como suporte de cuidados à distância, com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento de um modelo integrado de cuidados, onde cidadãos, profissionais de saúde e estudantes de Enfermagem são encorajados a participarem ativamente nos processos de saúde.
«É necessária uma nova abordagem na saúde para enfrentar a crescente procura de cuidados personalizados e centrados no cidadão, nos próximos anos, fornecendo cuidados mais inteligentes, à distância (online ou digital), com maior foco na prevenção e deteção precoce de doenças, bem como em conformidade com o tratamento. O desafio será fornecer mais e melhores cuidados de qualidade, com os mesmos recursos, à medida que as pessoas envelhecem e desenvolvem mais doenças crónicas», sustentam as cinco instituições de ensino superior de quatro países se vão debruçar sobre esta problemática no âmbito do novo projeto: além da ESEnfC, também a Universidade de Ciências Aplicadas de Tampere (Finlândia), a Universidade de Liubliana (Eslovénia), o Thomas More University College (Bélgica) e a Universidade de Ciências Aplicadas de Karelia (Finlândia).
Pedro Parreira, João Graveto e Paulo Alexandre Ferreira são os professores que, com participação do enfermeiro Paulo Costa (mestre em Enfermagem – área de Gestão de Unidades de Cuidados), formam a equipa da ESEnfC no projeto DigiNurse.
Os elementos da ESEnfC assinalam a importância do projeto, não só pelo «desenvolvimento de competências digitais por parte dos estudantes, enfermeiros e cidadãos portadores de doença crónica», mas também pela «participação dos estudantes na conceção de soluções inovadoras que contribuam para a melhor gestão da doença através do follow-up de cidadãos portadores de doença crónica».
Analisar as melhores práticas de cuidar no acompanhamento e controlo de pessoas portadoras de doença crónica, numa perspetiva de prevenção secundária e terciária, é outro aspeto que o grupo da ESEnfC destaca no âmbito do trabalho a realizar por este consórcio europeu.

“Liderança e seus efeitos” é o título de nova publicação lançada pela Escola Superior de Enfermagem de Coimbra

“Liderança e seus efeitos” é o título de uma das mais recentes publicações editadas pela Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (ESEnfC), com coordenação editorial da Unidade de Investigação em Ciências da Saúde: Enfermagem (UICISA: E), e que é organizada pelos investigadores Pedro Parreira (docente na ESEnfC), Lisete Mónico e Carla Carvalho (docentes na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra).
Dividida em sete capítulos, a obra (lançada em dezembro de 2017) trata de temas como “A liderança de enfermagem nas organizações de saúde”, “A influência da liderança na promoção de comportamentos de cidadania organizacional entre enfermeiros”, “The effect of leader-member exchange quality on affective team commitment in health care centers: role stressors as mediators accounting for this relationship”, ou a “Inteligência emocional e autorregulação no contexto da liderança: aspectos teórico-conceituais e implicações práticas”.
Catorze autores de Portugal, Brasil e Espanha (especialistas em áreas como Psicologia Social, Comportamento Organizacional, Gestão de Serviços de Saúde e Recursos Humanos) escrevem, ainda, sobre “Liderança autêntica: da concepção teórica às implicações práticas, uma discussão integrada”, “Organizações espirituais e líderes autênticos: o impacto no capital psicológico dos trabalhadores” e “Liderança, criatividade e inovação: variáveis mediadoras e moderadoras”, os temas dos restantes capítulos de uma publicação com quase 150 páginas.
No prefácio da obra, Manuel Alves Rodrigues, professor coordenador principal da ESEnfC e coordenador científico da UICISA: E, considera «particularmente necessária e atual a discussão em torno da liderança nas instituições de saúde`, advogando que «uma boa liderança é a chave das instituições de saúde para que estas sejam capazes de respeitar os mais elevados indicadores de qualidade; manter equipas motivadas com capacidade de tomada de decisão fundamentada; registar o mais alto nível de custo-efetividade; e receber a satisfação expressa dos utilizadores».
«De facto, a boa liderança é incentivadora do comprometimento dos profissionais de saúde com uma ação informada através da identificação das necessidades e da procura da melhor evidência. Os bons líderes ajudam a reportar o erro e geri-lo numa lógica de aprendizagem e melhoria contínua; garantir o rigoroso cumprimento das normas de segurança das pessoas; e, formar profissionais e utilizadores para manterem uma conduta ética de boa cidadania entre e dentro das instituições de saúde», escreve, ainda, Manuel Alves Rodrigues.
Além dos coordenadores, são autores deste livro: Rosa Cândida Melo, Helena Aparecida de Rezende, Alzira da Conceição Silva Duarte, Daniel Henao Zapata, Adoración Ferreres Traver, Sônia Maria Guedes Gondim, Gisele Debiasi Alberton, Clarissa Socal Cervo, Claudio Simon Hutz, Isabel Maria Vilaça de Campos e Eva Petiz Lousã.
Pedro Parreira, Lisete Mónico e Carla Carvalho são autores e organizadores de mais dois títulos editados pela ESEnfC: “Gestão de pessoas nas organizações” e “Burnout, traumas no trabalho e assédio moral: estudos empíricos e reflexões conceptuais”.

UMinho quer alavancar bioeconomia do país

O Centro de Biologia Molecular e Ambiental e o Instituto de Ciência e Inovação para a Bio-Sustentabilidade da Universidade do Minho querem alavancar a bioeconomia do país, através da conceção de produtos e processos verdes inovadores para a indústria agroalimentar. O projeto chama-se “EcoAgriFood” e conta com um financiamento de 1.5 milhões de euros provenientes do programa Portugal 2020.

O trabalho já originou no espaço de um ano diversas soluções com elevado potencial de utilização no setor. Por exemplo, para controlar pragas em grandes plantações foram desenvolvidos péptidos antimicrobianos, inspirados em moléculas existentes em mamíferos, bichos-da-seda e vespas. “Estas pequenas proteínas fazem parte do sistema imunitário e encontram-se em todos os organismos vivos, representando a primeira linha de defesa no combate a invasões por agentes infeciosos”, explica Raúl Machado, um dos 21 investigadores do projeto. Também foram produzidas membranas microporosas biocompatíveis e biodegradáveis, com elevada ação antimicrobiana e estabilidade térmica, podendo ser usadas como revestimentos ou filtros para controlo microbiológico.

Cada vez menos dependentes do petróleo

Foi igualmente otimizada a conceção de compostos de valor acrescentado para a indústria alimentar através de fábricas microbianas, um processo “amigo” do ambiente. Esta técnica de produção inovadora permite a obtenção de novos compostos a partir de resíduos ou subprodutos industriais. “Deixamos, assim, de depender tanto de derivados de petróleo, que são muitas vezes a base para a síntese de inúmeros compostos usados nas mais variadas indústrias”, realça a bióloga Isabel Silva.

Os resultados do projeto vão beneficiar empresas portuguesas do setor agroalimentar, bem como municípios, decisores políticos, centros de investigação e associações ambientais. Para uma maior proximidade à realidade nacional, está ainda a ser criado um conselho consultivo que visa potenciar, aplicar e disseminar algumas das soluções desenvolvidas no âmbito do EcoAgriFood. Com a população mundial a aproximar-se dos 10 mil milhões em 2050 e com recursos naturais finitos, “é essencial apostar numa economia mais sustentável capaz de conciliar as necessidades em termos de agricultura, segurança alimentar e utilização dos recursos biológicos, garantido simultaneamente a biodiversidade e a proteção do ambiente”, afirma a coordenadora geral Fernanda Cássio, da Escola de Ciências da UMinho. O projeto tem o site www.ecoagrifood.pt.

UMinho estreia em Portugal exames de Chinês para os mais novos

O Instituto Confúcio da Universidade do Minho (ICUM) vai realizar pela primeira vez em Portugal exames oficiais de Língua Chinesa para crianças e jovens. As provas são a 24 de março no campus de Gualtar, em Braga. As inscrições decorrem até 21 de fevereiro, em www.chinesetest.cn. Os exames designam-se YCT (Youth Chinese Test), têm os níveis I a IV e são tutelados pelo Ministério da Educação chinês, sendo os diplomas válidos em todo o mundo.

A avaliação está aberta a todos os menores interessados, como os alunos do projeto “Chinês nas Escolas”, que é promovido pelo ICUM em 14 estabelecimentos dos concelhos do Porto, Braga, Guimarães, Famalicão e Lousada. Este Instituto já lecionou mandarim a um milhar de estudantes do básico e secundário nos últimos anos, além de ter supervisionado aulas e colaborado em diversas instituições nos distritos do Porto, Braga e Aveiro.

Níveis avançados com nova edição

O ICUM organiza ainda a 24 de março e a 19 de maio, em Gualtar, mais uma edição dos exames oficiais de Língua Chinesa (HSK) e de oralidade de Língua Chinesa (HSKK). As duas datas para o exame permitem mais oportunidades aos interessados, que devem inscrever-se, respetivamente, até 21 de fevereiro e 18 de abril, no mesmo site. Estas provas são as únicas reconhecidas internacionalmente e pelas autoridades oficiais chinesas.

O ICUM foi a primeira instituição em Portugal a promover o HSK (Hanyu Shuiping Kaoshi) e faz exames até ao nível VI. Realiza também testes nos três níveis do HSKK (Hanyu Shuiping Kouyu Kaoshi). Os estudantes de cursos livres do ICUM, do Departamento de Estudos Asiáticos da UMinho ou do projeto “Chinês nas Escolas” são desafiados a participar, tal como nos anos anteriores.

Estes exames são organizados centralmente pelo Hanban – Gabinete Nacional de Divulgação da Língua Chinesa no Mundo, tutelado pelo Ministério da Educação da República Popular da China. Vários países da Europa fornecem estas provas, envolvendo entidades reconhecidas pelo Governo chinês, como os Institutos Confúcio e as Embaixadas. Mais detalhes em www.confucio.uminho.pt.

O Instituto Confúcio da UMinho (ICUM) foi o primeiro do género criado no país, há 12 anos. Esta instituição sediada em Braga divulga a língua e cultura chinesas na sociedade portuguesa, incluindo o estudo e esclarecimento da realidade daquele país asiático nas suas diversas vertentes. Entre os projetos a decorrer contam-se cursos livres, conferências, concursos, formações (como para empresários interessados no Oriente), comemorações do Ano Novo Chinês, entre outras efemérides, e ainda performances de dança, música, caligrafia, artes marciais e o ritual do chá.