20 Novembro, 2018

Um estudo do Observatório do Futebol da Universidade Europeia que analisou a estabilidade financeira das SADs dos três principais clubes portugueses no final da época desportiva 17/18, concluiu que o Sport Lisboa e Benfica (SLB) está a reduzir significativamente o endividamento, em comparação com o Sporting Clube de Portugal (SCP) e o Futebol Clube do Porto (FCP).

Analisando as três últimas épocas desportivas, o estudo, que foi desenvolvido pelo Observatório do Futebol da Universidade Europeia com base nos relatórios e contas anuais das SADs, analisou quatro variáveis que caracterizam a estratégia financeira-desportiva destes clubes, nomeadamente o rácio de endividamento, a pressão da folha salarial, a dependência da venda de jogadores e a relação valor-custo do plantel.

Na variável que analisou os indicadores de endividamento, o estudo concluiu que as SADs do SCP e do FCP encontravam-se em falência técnica, uma vez que o montante de financiamento por capital alheio (passivo), nomeadamente 283 milhões de euros no caso do SCP e 464 milhões de euros no FCP, era superior ao seu valor (ativo), que representa atualmente 269 M€ e 426 M€, respetivamente. Na SAD do Sporting, o montante subiu na última época devido à redução do valor de atividades comerciais correntes e de vendas de jogadores (passou dos 57 M€ na época de 16/17, para 13M€ na de 17/18). No que diz respeito à SAD do Porto, o montante subiu devido ao aumento de passivo não corrente em sede de empréstimos bancários (passou de 40 M€ na época de 16/17, para 113 M€ na de 17/18).

Em comparação, a SAD do Benfica demonstrou um comportamento diferente, diminuindo o seu rácio de endividamento devido à redução do passivo que, de 438 M€ na época de 16/17, passou para 398 M€ em 17/18.

Na variável que analisou a pressão da folha salarial dos clubes, o estudo do Observatório do Futebol da Universidade Europeia verificou que o Benfica foi também o clube com a estrutura salarial mais baixa, de 68 M€, em comparação com o Porto que revelou ter a mais alta, de 78 M€, seguido do Sporting, com 74 M€.  O Benfica obteve ainda o maior rendimento sem transação de jogadores (112 M€), que se deveu em parte ao elevado montante de receitas de televisão, enquanto que o Sporting foi o clube com menor rendimento sem transação de jogadores (92 M€), devido em parte ao reduzido montante de prémios da UEFA.

Na análise da variável sobre a dependência dos clubes por transação de jogadores, o estudo concluiu que os gastos das SADs do Benfica e Sporting (sem transação de jogadores) foram muito semelhantes, nomeadamente 116 M€ e 110 M€, respetivamente, e no caso da SAD do Porto foram substancialmente mais elevados (134 M€).

Contudo, os rendimentos da Benfica SAD (sem transação de jogadores) foram superiores (122 M€) às SADs do Sporting e Porto, com 92 M€ e 107 M€, respetivamente), concluindo-se que o clube da Luz é a única sociedade que apresenta resultados positivos sem transação de jogadores, não fazendo depender a sua operação da compra e venda de jogadores para se manter financeiramente no positivo.

No caso do valor do passe de jogadores versus o custo do plantel, o estudo do Observatório do Futebol da Universidade Europeia concluiu que as SADs do Sporting e do Benfica têm otimizado melhor a relação custo benefício. O clube da Luz conseguiu inclusive reduzir o valor do seu plantel (menos 9 milhões de euros) bem como a sua folha salarial (menos 7 M€), enquanto o clube de Alvalade aumentou o seu plantel devido à aquisição de três jogadores, num total de 27 M€, com aumento nos custos em ordenados não proporcionais. Contrariamente, a SAD do Porto tem decrescido nas últimas três épocas, tendo passado de 120% para 105%, uma vez que é o clube que tem a estrutura salarial mais elevada, e não detém 100% do passe de 13 dos 21 jogadores ativos do plantel 2017/2018. O Benfica foi a única sociedade que apresentou resultados positivos sem transação de jogadores, não fazendo depender a sua operação da compra e venda de jogadores para se manter financeiramente no positivo.

Ficha Técnica do Estudo

O estudo sobre “As finanças dos três grandes clubes portugueses” foi realizado com base nos relatórios e contas anuais das SADs do SLB, SCP, FCP e disponíveis online, tendo analisado as últimas três épocas desportivas (15/16, 16/17 e 17/18). Os relatórios anuais da SADs analisadas são referentes aos períodos compreendidos entre 1 de julho do ano x, e 30 de junho do ano x+1. Não foram considerados neste estudo quaisquer relatórios trimestrais posteriores aos relatórios anuais de 17/18.

Método de calculo das variáveis analisadas no estudo

Endividamento: Reflete em que medida as aplicações (ativos) são financiadas por capitais próprios (equity) ou por capitais alheios (debt). Em situações próximas de 100% reflete uma empresa largamente endividada, próximos de 0% reflecte uma empresa com muita autonomia financeira.

Pressão da folha salarial: O rácio dos gastos com o pessoal vs receitas operacionais é um indicador relevante neste setor de atividade, sendo reconhecido como um dos principais para avaliar a eficiência operacional dos clubes ou das sociedades desportivas de futebol, permitindo analisar a sua viabilidade futura. Quanto menor for o rácio, maior a eficiência da entidade. Tanto a UEFA no âmbito do Fair Play Financeiro como a European Club Association (ECA) recomendam que este rácio não ultrapasse os 70%. Segundo os critérios da UEFA, os gastos com honorários devem ser acrescidos aos gastos com o pessoal e as receitas operacionais não devem ter em consideração as transações com direitos de atletas. Para efeitos de cálculo do rácio, estes critérios serão tidos em consideração.

Dependência da venda de jogadores: A demonstração de resultados anuais de uma sociedade anónima desportiva está sempre dividida entre o que é a operação sem transação de jogadores e a operação com transação de jogadores. As principais fontes de receita sem transação de jogadores são direitos de transmissão televisiva, patrocínios e publicidade, prémios da UEFA e bilheteira. A principal fonte de despesa sem transação de jogadores são gastos com pessoal. Quanto maior for os ordenados dos jogadores (leia-se gastos com pessoal), e menor a receita sem transferência de jogadores, maior a dependência da transação de jogadores. A variável dependência da venda de jogadores corresponde ao inverso do resultado sem transação de jogadores. Isto é, se os ordenados forem baixos relativamente à receita sem transação de jogadores, a dependência da venda de jogadores é menor, e vice-versa.

Valor vs. Custo do plantel: Um dos principais ativos de uma sociedade anónima desportiva é o valor do passe dos seus jogadores. Este valor é diferente do seu valor de mercado porque não considera o seu potencial desportivo futuro (e respetivo potencial valor de venda) mas sim o valor da sua aquisição passada. Concomitantemente, jogadores formados no clube não contam como ativos, dado não terem sido aquisições. A variável valor vs. custo do plantel procura dar esclarecimento sobre a eficiência da utilização dos recursos jogadores de futebol, na medida em que jogadores mais bem avaliados com um encargo salarial mais baixo, permitem otimizar a relação custo-benefício financeiro (não necessariamente desportivo).

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